ANTÓNIO




Escolhi esta foto por ser essencialmente a preto e branco e o amarelo sobressai e parece reflectir-se efémero e ganhando movimento no metro. Isto é como a vida. A vida nunca pára.



Um gato branco, como eu

Os meus olhos estavam muito cansados e abriram-se quando acordei com a minha mãe a chamar-me. Quando acordei, vi a minha mãe a olhar para mim como se eu saísse de "coma". Perguntei: "Que é que há?". A minha mãe aproximou-se, fez um gesto de impaciência, revirou os olhos e apenas disse uma palavra muito, muito simples: "a-u-l-a-s". Mas continuei sem perceber, pois tinha acabado de acordar e ainda estava bloqueado. E a minha mãe repetiu: "Aulas! Escola!". Era Sexta-feira e o dia não estava muito lindo, o sol estava escondido atrás das nuvens cinzentas quando passei pela janela e olhei para lá fora. Este era o dia em que combinei ir visitar o meu amigo Pedro a sua casa e jantar lá.

Saí do meu sótão, fui tomar um duche rápido, porque a minha mãe não queria que acordasse as minhas irmãs e vesti-me, apenas a pensar: "Aulas, injusto, aulas, injusto...". Pus a minha mochila vermelha e saí de casa, não sem antes de dar um beijo à minha mãe deitada na cama, o que me fez a maior inveja!... Por sorte não estava a chover, pois se chovesse, nem me apeteceria voltar para cima buscar o guarda-chuva da minha mãe, que é muito, mas muito rosa, coisa que eu detesto!

Andei a pé, a olhar para o chão e de repente senti alguma coisa branca à minha frente. Era um gato branco. Parei, observei-o por muito tempo, porque adoro gatos. Dei uma volta com o olhar ao gato para ver se tinha alguma parte preta, mas não. O gato não se mexeu nada, nem se assustou. Comecei a ficar desconfiado e a pensar: "Será que este é como eu? Quer dizer, surdo?". Bati com o pé no chão, o gato não se moveu e apenas revirou os seus lindos olhos verdes. Então, tentei com as mãos: abanei-as à frente do gato e ele continuou impávido, não se mexeu. Decidi deixá-lo, seguir em frente, voltei a olhar para trás e vi que o gato ainda estava quieto. Comecei a pensar que ele era cego, mas bati, mais uma vez, com o pé no chão e o gato não se virou.

Descobri que ele era como eu: - surdo! Fiquei a olhar para ele, de costas e pensei: "Gato, sei como é que te sentes". Depois apanhei o autocarro.

8.10.10

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